Seis organizações laicas protestariam contra a 'hipocrisia social e moral' da Semana Santa.
O
Tribunal de Justiça de Madri proibiu nesta quarta-feira a realização,
prevista para a quinta-feira desta Semana Santa, de uma manifestação
antirreligiosa organizada por seis instituições laicas espanholas.
Chamada
oficialmente de "procissão ateia", a manifestação levaria às ruas
faixas com dizeres como "Congregação da Cruel Inquisição", "Irmandade da
Santa Pedofilia" e "Confraria do Papa do Santo Latrocínio" com o
objetivo de "derrubar a hipocrisia social e moral que representa a
Semana Santa Católica".
Os organizadores disseram que irão acatar
a decisão judicial, mas acrescentaram que convocariam uma manifestação
similar em outra data simbólica para o Catolicismo.
Eles também prometem realizar um grande evento no próximo mês de agosto durante a visita do Papa Bento 16 a Madri.
Por
outro lado, a associação anti-aborto Faz-te ouvir anunciou que analisa o
material de divulgação da procissão ateia para saber se é possível
abrir um processo, alegando incitação ao ódio.
Chamas
Os
organizadores da "procissão ateia" anunciaram com cartazes pelo centro
da capital espanhola a hora e percurso do evento, convocado para passar
diante de igrejas e ao lado de procissões católicas.
Os cartazes
traziam imagens do papa e ilustrações sacras alteradas. Também foram
distribuídos folhetos com a frase "a única igreja que se ilumina é a que
arde (em chamas)".
O presidente da Associação Madrilenha de
Ateus e Livres Pensadores, Luis Veja, disse à BBC Brasil que a proposta
da manifestação era "mexer com a ideologia e a consciência católica".
"Queremos
uma procissão sim, porque a palavra procissão não é exclusiva do
Catolicismo. E vamos continuar combatendo a hipocrisia e o
fundamentalismo", afirmou.
As críticas dos laicos se concentram
especialmente na intervenção do Vaticano em assuntos políticos como a
liberdade religiosa, leis de aborto e casamento gay, além dos escândalos
de pedofilia dentro da igreja.
Entre os críticos ao protesto
estava o prefeito de Madri, Alberto Ruiz Gallardón, que disse ser contra
"provocações contra a fé".
No entanto, ele disse que a
prefeitura que "não se considera competente para autorizar ou recusar a
celebração desta procissão" e recomendou uma decisão judicial sobre o
caso.
Fonte: Estadão
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